Agricultura Familiar

Agricultura Familiar

sexta-feira, 4 de setembro de 2015

Agricultura Familiar e o Campo de Oportunidades

Secretaria da Agricultura Familiar
Ministério do Desenvolvimento Agrário

TEXTO PARA DISCUSSÃO

Setembro de 2015
AGRICULTURA FAMILIAR E O “CAMPO DE OPORTUNIDADES”[1]

1.       Introdução

Nos últimos 13 anos o Brasil experimentou um processo inédito de crescimento econômico acompanhado de melhorias significativas no quadro social e queda sistemática da desigualdade da distribuição da renda. Entre os anos de 2001 e 2012, a razão entre a renda média dos 10% mais ricos e a dos 40% mais pobres caiu de 22,92 para 15,02, indicando que o aumento da renda, ainda que tenha beneficiado todos os grupos, ocorreu com mais intensidade nos estratos inferiores da distribuição da renda, ou seja, junto aos relativamente mais pobres. Em consequência disso, o índice de Gini, indicador da desigualdade de renda, sofreu queda sistemática no mesmo período, caindo de 0,594 em 2001, para 0,526 em 2012[2].
A redução da desigualdade está relacionada a diversos fatores, destacando-se: i) o avanço das políticas públicas de transferência de renda focada nos mais pobres, notadamente o Bolsa Família, garantindo uma renda mínima e movimentando a economia local e a demanda agregada nacional; ii) a política de valorização do salário mínimo, com crescimento real de 74,2%, entre 2001 e 2013; iii) o aumento da escolaridade média da população brasileira, reduzindo os diferenciais de rendimento associados à escolaridade; e iv) o crescimento econômico com aumento do número de empregos formais, garantindo mais direitos e maior renda aos trabalhadores.
No âmbito da ampliação da segurança alimentar e nutricional da população brasileira os avanços foram, inclusive, reconhecidos internacionalmente. Para isso, políticas públicas no âmbito do Programa Fome Zero e do Plano Brasil Sem Miséria garantiram a exclusão do Brasil do chamado “Mapa da Fome” das Nações Unidas. De acordo com a FAO/ONU, entre 2002 e 2014, o Brasil reduziu em 82,1% o número de pessoas subalimentadas. Em termos absolutos, em 2002 cerca 19,9 milhões de pessoas estavam em situação de subnutrição (ou subalimentação) no Brasil e em 2014 esse número passou a ser estatisticamente não significativo, isto é, valor inferior a 5% da população total.
As melhorias significativas na elevação da renda e na sua distribuição nos últimos anos aqui descritas ocorreram em todo o país, mas tiveram intensidades diferenciadas entre o rural e o urbano. Para esse primeiro, o movimento foi mais expressivo, com um número maior de famílias vivenciando uma ascensão contínua da renda e uma diminuição no seu grau de vulnerabilidade social devido ao acesso a um conjunto de políticas públicas focadas nesse público, tais como políticas de eletrificação rural, de acesso à água, de fortalecimento da capacidade dos municípios em empreenderem obras de infraestrutura no meio rural (PAC2 Máquinas e Equipamentos), de acesso ao crédito em diversas modalidades, de assistência técnica e extensão rural, e de criação de mercados cativos para produtos da agricultura familiar (PNAE e PAA) garantiram outro patamar de qualidade de vida para a população rural brasileira e a possibilidade de ascensão social.
As ações articuladas do Governo Federal (MDA/Incra, MDS, MEC, MMA, MI, Conab) foram decisivas para construção desse cenário e o Ministério do Desenvolvimento Agrário, dentro de suas competências regimentais, tem atuado decisivamente na construção desse novo Brasil Rural. Ainda assim, o problema da elevada concentração da estrutura fundiária continua sendo um desafio importante e que coloca as ações de reforma agrária e as políticas de acesso à terra na agenda estratégica do desenvolvimento rural, como instrumentos necessários para acelerar mudanças estruturais ainda mais expressivas no rural brasileiro.

2.       Avanços Recentes no Brasil Rural e o sucesso das Políticas de Desenvolvimento Rural

2.1. Redução da pobreza e ascensão social

As políticas públicas implementas nos últimos anos pelo Governo Federal e em parceria com demais entes federativos, promoveram mudanças sociais e econômicas importantes no campo. A pobreza rural apresentou uma queda expressiva, saindo de 38,9% da população, em 2001, para 17,8%, em 2013. Analogamente, a taxa de pobreza extrema (ou indigência) caiu de 17,1% para 8,1%[3], no mesmo período.
Denominado por Ricci (2010)[4] como o maior fenômeno sociológico do Brasil recente, a ascensão social no campo é o resultado de políticas públicas diferenciadas, com foco na transferência de renda, produção, infraestrutura, serviços e promoção da cidadania, as quais são endereçadas às populações em situação de vulnerabilidade, para fortalecimento das atividades produtivas e aumento da renda, e para a população integrada à economia, em maior ou menor grau (em transição e consolidada).
A Figura 1 traz a evolução das pessoas ocupadas no meio rural segundo classes de renda familiar per capita (RFPC) entre os anos de 1995 e 2013[5]. As classes de RFPC (ou classes econômicas) foram definidas com base nas proposições da Secretaria de Assuntos Estratégicos- SAE/PR[6], atualizando os limites monetários de cada classe para valores de setembro/outubro de 2013 pelo INPC (mês de referência dos dados da PNAD). Como a PNAD não vai a campo nos anos censitários (2000 e 2010), os valores correspondentes a esses anos foram obtidos por interpolação linear.

Figura 1. Evolução da população rural brasileira segundo classes de renda familiar per capita, 1995 a 2013.
Fonte: Microdados da PNAD/IBGE, vários anos.
* Dados obtidos por meio de interpolação linear.

Considerou-se como “Classe E” o conjunto de extremamente podres e pobres definidos segundo a SAE/PR, correspondendo às pessoas com RFPC de até R$307,40; a “Classe D” corresponde ao que a SAE define como vulneráveis, englobando os indivíduos com RFPC entre R$307,40 e R$465,90 (trata-se de um grupo de pessoas que não são considerados pobres, mas ainda não ascenderam à classe média); a “Classe C” (ou Classe Média Rural) é representada por pessoas com RFPC variando entre R$465,90 e R$1.076,40; a “Classe A/B”, por sua vez reúne os indivíduos com RFPC superior a R$1.076,40/mês.
Observa-se que que no período analisado houve drástica redução do número de pessoas na “Classe E”. Em 1995 17,4 milhões de pessoas estavam na “Classe E” e, em 2013, esse número cai para 6,7 milhões (queda de 61,6%). O Gráfico 1 permite constatar que, a partir de 2003 há um aumento sistemático do número de pessoas na “Classe C”, ou seja, ampliou-se a chamada “Classe Média Rural”. É imprescindível destacar que este é um movimento contínuo e já vem sendo observado há mais de 10 anos. Entre 2003 e 2013 houve incremento de mais de 5,3 milhões de pessoas na classe média.
Em síntese, observou-se uma ascensão social no meio rural brasileiro sem precedentes, com aumento de 86,8% no número de pessoas na classe média rural. Os dados apresentados corroboram os resultados e a trajetória identificada por Neri et al. (2012). Em 2013, 45% da população rural brasileira estava na Classe Média, contra 22% em 2003.
Além do incremento da renda entre os grupos mais pobres, no âmbito da ampliação da oferta de  serviços públicos básicos para a população rural, que garantem direitos, mais cidadania e melhoram a vida no campo estão, durante o período de 2011 a 2014: a chegada da energia elétrica ao meio rural para 3,2 milhões de famílias do meio rural, por meio do Programa Luz para Todos, a entrega de 837,2 mil cisternas e 113,9 mil tecnologias de água para produção por meio do Programa Água Para Todos, 206 mil matrículas realizadas nos últimos quatro anos em cursos voltados para o Rural por meio do Programa de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec), 289 mil crianças do Bolsa família entre 0 a 2 anos com acesso a creche nos territórios rurais[7] por meio do Programa Brasil Carinhoso, 102,7 mil famílias do Cadastro Único atendidas pelo Programa Minha Casa Minha Vida Rural, 226 mil novas unidades básicas de saúde construídas em territórios da Política Nacional de Desenvolvimento Territorial Rural, o que facilita a integração de outras iniciativas públicas, tanto no que diz respeito aos programas sociais e ações de atendimento de serviços como educação, saúde e abastecimento de água, quanto às políticas de incentivo à agricultura familiar.
Mesmo com tantos avanços, a questão da ampliação do acesso ao ensino fundamental e médio no meio rural permanece como um desafio para o seu desenvolvimento. Segundo dados do Censo Agropecuário de 2006, tinha-se que, dos 5,2 milhões de estabelecimentos rurais, 2,2 milhões (42%) possuíam um dirigente com ensino fundamental incompleto e mais 1,3 milhão não sabia ler e escrever, perfazendo um total de 67% de agricultores que dirigem seus estabelecimentos com demanda de educação continuada. A desigualdade no acesso a educação entre o rural e o urbano é um fator que pesa na dificuldade atual de manter os jovens no campo. O Plano Nacional de Educação, atualmente em vigor, reconhece essa desigualdade e propõe, na sua meta número 8, elevar a escolaridade média da população de 18 a 29 anos, de modo a alcançar no mínimo 12 anos de estudo até 2024, atualmente a média é de 7,3 anos, segundo dados da PNAD de 2013.

2.2. Políticas Públicas e Estratégias para o Desenvolvimento Rural Sustentável

A recente ascensão social no meio rural brasileiro e sua maior intensidade frente ao urbano tem como uma de suas principais causas um processo deliberado de construção de um conjunto de políticas públicas do meio rural focadas no desenvolvimento da agricultura familiar do país. Incluem-se aqui a expansão de políticas públicas de grande escala e organizadas em 3 eixos principais:
1)      Acesso à Terra: São mais de 137 mil famílias já beneficiadas pelos programas de Crédito Fundiário e mais 900 mil familiares assentadas em projetos de assentamentos do Programa Nacional de Reforma Agrária, com meta de assentar mais 120 mil famílias acampadas nos próximos quatro anos;
2)      Promoção e proteção da produção: o aperfeiçoamento e expansão das políticas de crédito do Pronaf, que passaram de um total de R$ 2,3 bilhões aplicados na safra 2002/2003 e 814.052 contratos, para R$ 28,9 bilhões e 1,9 milhões de contratos previstos para a safra 2015/2016; a criação do seguro da agricultura familiar em 2004, atingindo mais de R$ 2,5 bilhões de valor segurado, e seus aperfeiçoamentos e ampliações que permitiram, após 10 anos, alcançar R$ 7,9 bilhões de valor segurado na safra 2013-2014; a ampliação da cobertura do Benefício Garantia-Safra para atualmente 1,3 milhões de famílias que vivem no Nordeste e Semiárido brasileiro, ainda vulneráveis aos prejuízos na produção causados por estiagem; a reconstituição e implementação de uma Nova Política Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural (ATER) a partir de 2004, cujos recursos passaram de cerca de R$ 56 milhões em 2003, para R$1,2 bilhão em 2014, beneficiando mais de 279 mil famílias de Agricultores Familiares e 412 mil assentados da reforma agrária e atingindo a marca de cobertura de atendimento em 79% dos assentamentos da reforma criados entre 2011 e 2014;
3)      Comercialização e Agregação de Valor: a criação de um conjunto de instrumentos de compras institucionais de alimentos da agricultura familiar como o Programa de Aquisição de Alimentos (2003) e o Programa de Alimentação Escolar (2009) que dinamizam a economia local e geram renda, tendo movimento R$ 1,7 bilhões, em 2014, em compras diretas da Agricultura Familiar; a ampliação da inserção dos produtos da agricultura familiar no mercado privado com a criação do Selo da Agricultura Familiar (990 empreendimentos com selo); a criação do Programa Mais Gestão (2012) que atua prestando assistência técnica para mais de 400 cooperativas da agricultura familiar e tem como metas principais o fortalecimento do cooperativismo, da gestão dos empreendimentos sua inserção nos mercados públicos e privados; o Programa de Agroindustrialização da Produção de Agricultores Familiares (2003), com atenção para a importância da implantação de agroindústrias, desde o fomento a sua organização até alterações no marco legal, são mais de 143,5 mil agricultores familiares que trabalham com a agroindustrialização, gerando, anualmente, R$ 1,8 bilhão em valor bruto de produção (dados de 2014).
Tão importante quanto a construção desses instrumentos de políticas públicas focados no apoio a agricultura familiar, foi a capacidade de orientá-los em direção a execução de algumas estratégias que, dentro de uma visão multidimensional do desenvolvimento rural, souberam articular e agregar ações de outros Ministérios (MDA, MDS, MMA, MI, MPA, MEC, MS etc) em torno de objetivos comuns da política de governo. Entre essas estratégias implementadas cabe destacar três delas:

a)      A Estratégia de Promoção do Desenvolvimento Territorial, que inova ao iniciar o rompimento de uma visão setorial de desenvolvimento rural, restrita apenas a promoção da produção agropecuária, para discutir a articulação, em torno de um mesmo espaço, do conjunto de políticas públicas disponíveis tanto de apoio a produção como de ampliação da qualidade de vida no campo (cultura, infraestrutura, ampliação do capital social etc.). Essa estratégia alcança uma maior dimensão em 2008 com o lançamento do Programa Territórios da Cidadania (PTC), que traz como outra inovação a visão de que um importante elemento da superação da pobreza passa pela dinamização da economia local e de capital social nos espaços onde esse público se concentra. O programa, em sua primeira fase, contou com ações integradas de 22 ministérios, atuando nas áreas de: i) apoio a atividades produtivas, ii) garantia de direitos e cidadania e iii) infraestrutura.
b)      A Superação da Pobreza Rural, que inicia em 2003 com o Lançamento do Programa Fome Zero, momento em que é criada uma articulação fundamental entre a política de promoção da segurança alimentar e nutricional nacional, a política de superação da pobreza rural e a política de apoio a agricultura familiar. Com base nessa concepção articulada, que se mantém ao longo dos anos, um conjunto de políticas públicas envolvendo acesso a alimentos para a população de baixa renda e apoio à agricultura familiar são criadas de forma gradual e concomitante. Em 2011, um novo momento de políticas de superação da pobreza inicia-se com a constituição do Plano Brasil Sem Miséria (PBSM). São concebidas novas políticas (ou adaptadas as políticas[8] já existentes) para melhor alcançar o público definido como extrema pobreza, com a consolidação do Cadastro único de Programas Sociais do Governo Federal (CadÚnico) como a base comum para organizar, dentro do governo, todo o planejamento das ações dos diversos Ministérios junto ao público em vulnerabilidade social integrante do Cadastro. Além disso, o PBSM mantém a visão multidimensional de superação da pobreza, organizando-se em três eixos que almejam tanto a ampliação do acesso a renda pelos mais pobres como a garantia de direitos e cidadania: 1) garantia de renda (alterações no bolsa família); 2) inclusão produtiva rural e urbana (crédito, fomento, comercialização); 3) acesso a serviços públicos (saúde, educação, assistência social). Entre 2011 e 2014, mais de 1,9 milhões de famílias agricultoras familiares e 390 mil famílias assentadas da reforma agrária foram beneficiadas por alguma ação do Plano Brasil Sem Miséria.
c)       A Ampliação da Produção de Alimentos Saudáveis com Sustentabilidade Ambiental, que tem como marco o lançamento, em 2013, do Plano Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica (PLANAPO). Esse Plano reúne também um conjunto de ações e Ministérios em prol de um objetivo comum que é o de implementar ações indutoras da transição agroecológica, da produção orgânica e de base agroecológica, como contribuição para o desenvolvimento sustentável, possibilitando à população a melhoria de qualidade de vida por meio da oferta e consumo de alimentos saudáveis e do uso sustentável dos recursos naturais. Trata-se de uma estratégia inovadora e que organiza um conjunto de instrumentos existentes (crédito, ATER, compras públicas, pesquisa etc.) na direção da sustentabilidade. Esse é um eixo estratégico em pleno desenvolvimento e construído a partir de um processo participativo com a sociedade civil organizada.
A atuação dessas estratégias organizadoras centrais foram fundamentais para o alcance dos resultados de melhoria de renda, ascensão social e superação da pobreza no meio rural. Representaram acúmulo de experiências e aprendizagens que são a base para se pensar em novos passos diante de um também novo rural. Para isso, faz-se central uma análise mais detalhada da agricultura familiar, sua diversidade e seu papel na promoção do desenvolvimento rural sustentável.

3.       Agricultura Familiar: definições, dimensões, característica e seu papel no Novo Rural

É importante compreender a heterogeneidade característica do rural e do setor agropecuário brasileiro. Como consequência das desigualdades regionais, que ainda são notórias na economia brasileira, e do próprio processo de modernização do setor, tem-se a convivência de dois modelos produtivos distintos. De um lado a agricultura não familiar, que engloba parte dos médios e os grandes estabelecimentos agropecuários, voltados, essencialmente à produção de commodities agrícolas e com papel importante nas geração de divisas por meio de exportações, e de outro lado, a Agricultura Familiar, cuja principal tarefa é a produção de alimentos para abastecimento do mercado interno, que garante a segurança e soberania alimentar do país e contribui para o equilíbrio da balança de pagamentos ao evitar que o excedente exportador seja neutralizado pela importação massiva de bens alimentares e de primeira necessidade.
Deve-se considerar que, além da sua importância no âmbito da produção de alimentos, a Agricultura Familiar também dialoga com aspectos socioculturais e de uma visão de espaço de vida no rural, não apenas de produção. Isso porque os agricultores familiares estão diretamente envolvidos no processo produtivo e têm na atividade agrícola, além do meio de vida, um “estilo de vida”; em segundo lugar, há uma preocupação com a preservação ambiental e com a sustentabilidade da atividade produtiva, com um número maior de sistemas integrados de produção, pois visam a produção de alimentos para própria família, além da geração de excedentes; e em terceiro, pois são também Agricultores Familiares os Indígenas, Quilombolas, Extrativistas, Pescadores Artesanais e Silvicultores, categorias que se relacionam de maneira distinta com o fator terra e com o processo produtivo.
É nesta diferença que se justifica a criação e manutenção, por parte do Poder Executivo, de dois Ministérios específicos para cada um dos modelos acima citados. Compete ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), por exemplo, a gestão e implementação da política agrícola destinada ao incentivo à produção e comercialização dos médios e grandes estabelecimentos agropecuários. O Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA)[9], por sua vez, é responsável pelas políticas de reforma agrária e regularização fundiária, desenvolvimento rural e fortalecimento da Agricultura Familiar em sentido amplo, contribuindo para produção de alimentos de qualidade e para a sustentabilidade ambiental.

3.1. A definição de Agricultura Familiar e a o seu espaço no Brasil Rural

A Lei Nº 11.326, de 24 de julho de 2006, que estabeleceu as diretrizes para a formulação da Política Nacional da Agricultura Familiar e Empreendimentos Familiares Rurais, definiu como Agricultor Familiar aquele que não detenha, a qualquer título, área maior do que 4 (quatro) módulos fiscais; utilize predominantemente mão de obra da própria família nas atividades econômicas do seu estabelecimento ou empreendimento; tenha renda familiar predominantemente originada de atividades econômicas vinculadas ao próprio estabelecimento ou empreendimento; dirija seu estabelecimento ou empreendimento com sua família; e tenha percentual mínimo da renda familiar originada de atividades econômicas do seu estabelecimento ou empreendimento, na forma definida pelo Poder Executivo, nesse caso, o Manual de Crédito Rural (MCR).
Cumpre lembrar que também são considerados agricultores familiares, silvicultores, remanescentes de comunidades quilombolas, pescadores artesanais, extrativistas, aquicultores, povos indígenas que atendam aos requisitos gerais da lei, o que couber, ou a alguns requisitos específicos, como o caso do limite de área de exploração reservatórios hídricos com superfície total de até 2 ha (dois hectares) ou até 500m³ (quinhentos metros cúbicos) de água, quando a exploração se efetivar em tanques-rede; no caso da aquicultura.
Segundo o Censo Agropecuário 2006, a Agricultura familiar correspondia a 84,4% dos estabelecimentos rurais[10], um total 4.366.267 estabelecimentos. Este contingente de agricultores familiares ocupava uma área de 80,10 milhões de hectares, ou seja, apenas 24% da área ocupada pelos estabelecimentos agropecuários brasileiros, o que expõe uma estrutura agrária concentrada que constitui um desafio para avanços maiores ao desenvolvimento rural no país. No que concerne a todos os tipos de estabelecimentos rurais, familiares e não familiares, 50% se concentravam em estabelecimentos de até 10 há, 40% em estabelecimentos 10 a 100 ha e 10% acima de 100 ha. Os estabelecimentos não familiares, apesar de representarem 15,6% do total dos estabelecimentos, ocupavam 75,9% da área ocupada. A área média dos estabelecimentos familiares era de 18,37 ha, e a dos não familiares, de 309,18 há.
A participação da agricultura familiar e suas características variam muito segundo as grandes regiões. A Tabela 1 traz a participação da Agricultura Familiar no total de estabelecimentos agropecuários brasileiros e sua distribuição entres grandes regiões. Percebe-se, por exemplo, que no Nordeste a Agricultura Familiar responde por 89% do total de estabelecimentos agropecuários, ocupando 37% da área total e gera 46% do VBP total. A metade dos estabelecimentos da agricultura familiar estão localizados na região Nordeste, com área média de 16 hectares (a menor área média dentre as regiões). Observa-se ainda que nas regiões Norte e Centro-Oeste a área média dos estabelecimentos da agricultura familiar é consideravelmente maior em relação às demais regiões.
Tabela 1. Participação, Distribuição e características da dos estabelecimentos da Agricultura Familiar (AF), Brasil e Regiões.
Região
Participação da AF/Total
Distribuição e Características AF
Estab. AF/Total (%)
Área AF/Total (%)
VBP AF/Total (%)
Estab. AF (%)
Área AF (%)
Área Média AF (ha)
VBP AF (%)
Nordeste
89
37
46
50
35
16
25
Centro-Oeste
68
9
11
5
12
62
6
Norte
87
30
56
9
21
53
9
Sudeste
76
23
22
16
16
22
22
Sul
85
31
48
20
16
20
39
Brasil
84
24
33
100
100
24
100
Fonte: Elaborado com base em França et al. (2009)

Essa diversidade regional da agricultura familiar exige também que se avance no amadurecimento de estratégias diferenciadas de desenvolvimento por região. A exemplo de uma atuação fundiária e de ampliação do acesso a água para produção mais intensiva, no Nordeste; uma maior interação com as políticas de meio ambiente e organização de cadeias da sociobiodiversidade na região norte, ou ainda, aprofundamento das ações de agregação de valor e arranjos produtivos locais envolvendo a agricultura familiar nas demais regiões do país.

3.2. Agricultura Familiar, faixas de renda e produtividade

O Capítulo 10 do Manual do Crédito Rural (MCR), editado pelo Banco Central do Brasil, regulamenta o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar - PRONAF, estabelecendo como beneficiários do crédito os Agricultores Familiares que estejam na base de dados da Declaração de Aptidão ao PRONAF - DAP, sob gestão do Ministério do Desenvolvimento Agrário, e cuja a renda bruta familiar nos últimos 12 meses de produção normal[11] não ultrapasse R$360.000,00 (trezentos e sessenta mil reais), considerando neste limite a soma de 100% (cem por cento) do Valor Bruto de Produção (VBP), 100% do valor da receita recebida de entidade integradora e das demais rendas provenientes de atividades desenvolvidas no estabelecimento e fora dele, recebida por qualquer componente familiar, excluídos os benefícios sociais e os proventos previdenciários decorrentes de atividades rurais.
Pelo critério de renda estabelecido pelo MCR e considerando o valor atual do salário mínimo de R$ 788,00 (setecentos e oitenta e oito reais), o Agricultor Familiar está enquadrado nesse segmento, desde que sua renda bruta familiar seja de até 38 salários mínimos (ou R$29.944,00) por mês.
Considerando que os dados do Censo de 2006 expressam uma agricultura familiar de cerca de 10 anos atrás e que existem informações de renda na base da DAP, será essa a fonte de informações para se avaliar as faixas de renda da agricultura familiar no brasil rural atual.
A Tabela 2 apresenta a distribuição, por faixa de Valor Bruto da Produção (VBP), dos produtores rurais com Declaração de Aptidão ao Pronaf (DAP), documento que identifica e qualifica os produtores para acessarem as políticas direcionadas a este segmento de produtores rurais. São mais de 5 milhões de Unidades Familiares de Produção Rural registradas no banco de dados da DAP, apresentando área média de 18,5 ha (18,3 ha do Censo Agropecuário 2006) e média de Valor Bruto da Produção anual de R$36.103,20 (R$ 3008,60 por mês, ou 4,2 salários mínimos de dez/2014).
Tabela 2. Distribuição dos agricultores familiares com DAP segundo faixas de Valor Bruto da Produção anual (em R$ de dez/2014).
Faixa de VBP
Freq.
%
% VBP
VBP Mensal Médio (R$)
VBP Mensal Mediano (R$)
Até 9.240 (E)
2.300.862
44,9%
5,1
341,1
330,9
De 9.240 a 28.368 (D)
1.260.477
24,6%
11,2
1.372,8
1.263,9
De 28.368 a 103.680 (C)
1.142.169
22,3%
32,7
4.415,2
3.945,4
Acima de 103.680 (A/B)
422.963
8,3%
51,0
18.596,1
13.779,4
Total
5.126.471
100%
100,0
3.008,6
925,6
Fonte: Secretaria da Agricultura Familiar (SAF/MDA).

Observa-se que mais de 30% dos produtores (30,6%) declararam VBP anual superior a 28.368 reais. Esses agricultores apresentaram VBP médio mensal de R$11.505,60 e respondem por 83,7% do VBP total declarado na base de dados da DAP (Classes C + A/B). Analisando somente aqueles com VBP entre 28,4 e 103,7 mil, o que se aproxima da Classe Média, tem-se que 22,3% dos agricultores familiares estão nessa faixa (1,142 milhões), com média de VBP mensal de R$4.415,20 e respondendo por 32,7% do VBP total declarado.
Cumpre também destacar que 24,6% dos agricultores estão na faixa de VBP entre 9,2 e 28,4 mil reais por ano, com VBP mensal médio de R$1.372,80 e respondendo por 11,2% do VBP total.
Ainda com base nas informações da DAP, tem-se 44,9% de agricultores familiares (cerca de 2,3 milhões) localizados no estrato mais baixo de renda, com VBP anual de até 9,2 mil reais/ano. Essa informação impõe a necessidade de pensar em uma segunda geração de ações com vistas a possibilitar a ascensão social dos agricultores com produção registrada, mas que ainda encontram dificuldades do ponto de vista da inserção produtiva.
A distribuição das classes econômicas acima descritas é apresentada graficamente na Figura 2. Percebe-se uma forte diferenciação regional, com destaque para a Região Nordeste, na qual, 62,6% dos agricultores familiares ainda se encontram na Classe E. Nas demais regiões a Classe Média (C) responde por mais de 30% das unidades familiares de produção rural, destacando-se a região Sul, onde quase 50% dos agricultores familiares pertencem à classe média. Também é na região Sul onde observa-se menor percentual de agricultores na faixa de VBP mais baixa (6,8%). No Sudeste e Centro Oeste a Classe Média responde por quase 40% das unidades familiares de produção rural identificadas na DAP (39,7% e 37,6%, respectivamente). Os dados reforçam a ideia de se ter políticas diferenciadas para as distintas regiões geográficas brasileira, especialmente para o Nordeste e Norte.
Figura 2. Distribuição do número de agricultores com DAP segundo grandes regiões e por faixa de VBP anual (ref. Dez/2014)
Fonte: Secretaria da Agricultura Familiar – SAF/MDA.

A análise dos estabelecimentos agropecuários segundo faixas de Valor Bruto da Produção também pode ser realizada com as informações do Censo Agropecuário de 2006. A Tabela 3 traz informações similares às apresentadas na Tabela 02, agora com base nas informações do Censo Agropecuário 2006 e estratificando os estabelecimentos por classe de área, o que permite inferir sobre a produtividade dos estabelecimentos rurais.
Cumpre mencionar que 67% dos estabelecimentos localizados na faixa de VBP “Acima de 10 SM” possuem menos de 100 hectares (e 30% possuem menos de 20 ha). Isso indica que a área (ou tamanho do estabelecimento) não é diretamente proporcional ao valor da produção, ou seja, ter uma área grande não é sinônimo de uma produção grande e, consequentemente, de maior produtividade. Sobre esse assunto cumpre destacar que, pelo contrário, a produtividade média dos considerados pequenos agricultores, segundo dados do Censo, é maior comparativamente às grandes explorações. Outra informação importante é a de que na faixa de VBP igual a zero, quase 10% do estabelecimento possuem área superior a 100 hectares, o que levanta a discussão do cumprimento da função social da propriedade e a possibilidade de destinação de latifúndios improdutivos para reforma agrária. É notória a predominância de estabelecimentos com menos de 20 hectares na faixa de VBP de até 2 salários mínimos.
Estas informações são elucidativas e ajudam a contrapor a ideia de que os pequenos agricultores são pouco produtivos e, portanto, têm baixa capacidade de geração de renda e geralmente são pobres.



Tabela 3. Número e proporção de estabelecimentos por classes de área e faixas de Valor Bruto da Produção (VBP)
Classe de área
Faixas de VBP
Total
0 SM
Até 2 SM
De 2 a 10 SM
Acima de 10 SM
Igual a zero
3,0
7,0
2,0
1,0
255.019
De 0 a 5 ha
35,0
49,0
17,0
9,0
1.939.390
De 5 a 20 ha
27,0
23,0
36,0
20,0
1.338.717
De 20 a 100 ha
26,0
17,0
34,0
37,0
1.205.950
De 100 a 500 ha
7,0
3,0
10,0
22,0
338.969
De 500 a 2500 ha
2,0
0,0
1,0
9,0
82.677
Mais de 2.500 ha
0,0
0,0
0,0
2,0
14.914
Total (%)
100
99
100
100
.
Total (N)
536.761
3.155.373
991.645
491857
5.175.636

Pode-se afirmar que o novo patamar alcançado no meio rural brasileiro impõe agora uma reflexão sobre os novos campos de oportunidades dessa trajetória de fortalecimento da agricultura familiar e de avanços e consolidação de um modelo de desenvolvimento rural inclusivo e com respeito ao meio ambiente e à sócio biodiversidade.

4.       Políticas Públicas e o Campo de Oportunidades para dinamização da Agricultura Familiar e do Rural

Apesar dos avanços recentes na geração de renda no rural, ainda há muito que se construir, inclusive uma ação mais integrada com os centros urbanos, elevação da qualidade de vida da população rural, superação da pobreza, gestão dos recursos naturais.
Dado o processo bem-sucedido de criação de um conjunto de políticas públicas para o rural e a agricultura familiar nos últimos anos, um novo plano de ação para o desenvolvimento rural terá como base a aproximação das estratégias de atuação já em curso, e descritas anteriormente, respeitando as diferenças regionais. A diretriz central é passar para um processo de desenvolvimento do espaço e não de setores, captando o que poderia ser chamado de um “Campo de Oportunidades” para o rural.
Nesse sentido tem-se algumas propostas de atuação que poderiam ser aprofundadas para uma atuação imediata:
1)      Regulamentar a Lei da Agricultura Familiar e Implementar o Cadastro da Agricultura Familiar, o que permitirá melhor conhecer e desenvolver a Agricultura Familiar, permitindo melhor avaliar os resultados das políticas públicas.
2)      Avançar nas ações de Superação da Pobreza Rural: um em cada quatro famílias no meio rural ainda estavam em situação de extrema pobreza segundo o Censo Demográfico de 2010, assim, superar a pobreza rural constitui-se um tema importante da agenda de governo. Nesse sentido, o caminho seria uma maior aproximação da Política de Superação da Pobreza com a Política de Desenvolvimento Territorial, o que significa articular a estratégia de atuação do Plano Brasil Sem Miséria com as ações do Programa Territórios da Cidadania, reformulado já nessa visão. Com isso será possível garantir que a superação da pobreza dentro da família possa ser potencializada com a promoção do dinamismo social de espaços empobrecidos. A Reformulação da Política de Desenvolvimento Territorial prevê aprofundamento da articulação com os entes federativos e uma matriz de ações focadas em apenas cinco ministérios principais: MDA, MDS, MEC, MS e MMA;
3)      Produção de Alimentos Mais Saudáveis e com Sustentabilidade: avançar no aprimoramento dos instrumentos existentes para que possam, efetivamente, garantir uma transição agroecológica (ATER, Crédito, comercialização, marco legal etc) e construir as novas metas do Plano Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica para o Período 2016-2018. Potencializar as experiências de produção de sementes, energia renovável e de gestão de recursos hídricos pela agricultura familiar.
4)      Lançar o PRONARA – Programa Nacional de Redução de Agrotóxicos em um cenário onde o Brasil é apontando como “campeão” no uso de agrotóxicos há mais de cinco anos;
5)      Estabelecer uma Política Nacional de Reforma Agraria que integre os assentamentos novos e existentes dentro de uma estratégia territorial de desenvolvimento: isso significa integrar a política de reforma agrária com a política nacional de irrigação, as ações de desenvolvimento de cadeias produtivas, a promoção de arranjos produtivos locais e agregação de valor, a estratégia de abastecimento de alimentos das cidades;
6)      Fortalecer os instrumentos de governança fundiária com a implementação do Cadastro Nacional de Imóveis Rurais
7)      Ampliar a efetividade das compras institucionais no país: Implantação do PAA e do PNAE em 100% dos municípios brasileiros e das compras institucionais em toda administração pública federal e estadual;
8)      Expansão dos Serviços Públicos de Educação, Saúde, Habitação e de Infraestrutura no Rural: garantir a implantação do Pronacampo e do objetivo oito do Plano Nacional de Educação, diminuindo as assimetrias entre a escolaridade rural e urbana e promovendo oportunidades iguais a juventude brasileira, rural e urbana; ampliar a política de habitação rural, estabelecer diálogo com os ministérios para o desenvolvimento de estratégias de oferta de serviços de saúde e assistência social específicos para o rural, garantir a implantação dos serviços de internet no meio rural
9)      Garantir políticas para promoção da igualdade da autonomia e da igualdade das mulheres rurais e de reconhecimento dos territórios e de promoção do etnodesenvolvimento das comunidades rurais tradicionais
10)   Organização econômica da agricultura familiar, integração com cadeias produtivas e ampliação dos mercados: avançar nas ações de Ater para Gestão, na implantação do Programa de Cooperativismo Solidário da Agricultura Familiar, na implantação do selo da agricultura familiar, do Suasa, certificação de produto não transgênico, exploração de novos nichos de mercado (slow food, cozinha criativa, empresas sustentáveis) com parcerias com a iniciativa privada e grandes eventos (Olimpíada 2016);
11)   Estabelecer estratégia diferenciada para região nordeste, onde se concentra 50% da agricultura familiar no país, tendo como eixo central a produção de estoques de forragem, a potencialização das cadeias de mel, caprinos e ovinos e frutas locais, a ampliação do acesso a água pelas políticas de irrigação, água para todos e grandes obras e infraestrutura hídricas do PAC, com articulação com os instrumentos de política de desenvolvimento regional (BNB, FNE e Sudene, Codevasf, Dnocs);
12)   Estabelecer estratégia diferenciada para o desenvolvimento da agricultura familiar e os assentamentos na Região Norte do País, onde se concentra 40% das famílias assentadas, integrando com as políticas e instrumentos para o Desenvolvimento Regional (Sudam e BASA, FNO)
13)   Estabelecer uma estratégia de promoção do conhecimento e de tecnologias para agricultura familiar, envolvendo centros de pesquisa Nacional e estadual e redes de tecnologias sociais
14)   Aprofundamento das relações federativas e ampliação da capilaridade das ações do MDA: construção dos fóruns regionais de agricultura familiar, estímulo a criação de políticas estaduais de desenvolvimento territorial articuladas ao MDA, articulação com municípios para realização cadastramento dos agricultores familiares no novo Cadastro;
15)   Ampliação das informações e de estudos sobre Agricultura Familiar e o tema do Desenvolvimento Rural;
16)   Construção de uma agenda internacional de cooperação e de construção de institucionalidades internacionais para os temas agricultura familiar e segurança alimentar e nutricional e montagem de uma agenda estratégica junto a FAO



[1] Texto elaborado a partir das contribuições de Onaur Ruano, Ronaldo Ribeiro, Régis Oliveira, Letícia Mendonça, Willians Meiguel, Rodrigo Guimarães, Caio França, Valter Bianchini, Marenilson Silva e Reni Denardi.
[2] Dados da PNAD/IBGE tabulados pelo IETS com base na renda domiciliar per capita (http://www.iets.org.br/)
[3] IETS com base nas informações da PNAD/IBGE.
[4] RICCI, R. (2010). Lulismo: da era dos movimentos sociais à ascensão da nova classe média brasileira. Brasília: Fundação Astrojildo Pereira / Contraponto.
[5] Foram utilizados os microdados da PNAD/IBGE, excluindo-se da amostra as informações das áreas rurais da antiga região Norte (AC, AM, AP, PA, RO e RR), cobertas pela PNAD apenas a partir de 2004.
[6] http://www.sae.gov.br/wp-content/uploads/Relat%C3%B3rio-Defini%C3%A7%C3%A3o-da-Classe-M%C3%A9dia-no-Brasil1.pdf
[7] Os Territórios rurais integram a Política nacional de Desenvolvimento Territorial gerida pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) e atua em 3.591 municípios que compõem 239 territórios (SDT).
[8] O PRONATEC, o Programa de Fomento a Estruturação Produtiva da Agricultura Familiar, o Programa Bolsa Verde, as alterações do Bolsa Família etc.
[9] Em resposta às pressões e crises sociais no campo e em especial o Massacre de Eldorado dos Carajás, o Ministério do Desenvolvimento Agrário teve sua criação inicialmente como Ministério de Política Fundiária e do Desenvolvimento Agrário, através da Medida Provisória 1.999-13, de 14 de dezembro de 1999, seguida de várias reedições de MP subsequentes e decretos, até o mais recente e vigente Decreto Nº 7.255, de 4 de agosto de 2010, que aprova sua Estrutura Regimental. Desde sua origem, até o marco legal atualmente vigente, sempre esteve entre suas atribuições, aquelas relacionadas com a promoção do desenvolvimento sustentável do segmento rural constituído pelos agricultores familiares.
[10] O Censo 2006 considerou como estabelecimento agropecuário “toda unidade de produção dedicada, total ou parcialmente, a atividades agropecuárias, florestais e aquícolas, subordinada a uma única administração: a do produtor ou a do administrador. Independentemente de seu tamanho, de sua forma jurídica ou de sua localização em área urbana ou rural, tendo como objetivo a produção para subsistência e/ou para venda, constituindo-se assim numa unidade recenseável”. As áreas não contínuas, exploradas por um mesmo produtor, foram consideradas como um único estabelecimento, desde que estivessem situadas no mesmo setor censitário, utilizassem os mesmos recursos técnicos (máquinas, implementos e instrumentos agrários, animais de trabalho, etc.) e os mesmos recursos humanos.
[11] Desconsiderando-se possíveis perdas relacionadas a aspectos climáticos/ambientais ou a outros fatores supervenientes.
[12] HELFAND, S., et al. (2014). Pequenos e médios produtores na agricultura brasileira: situação atual e perspectivas. In: BUAINAIN, A. M., et al. (orgs.) O Mundo Rural no Século 21: A formação de um novo padrão agrário e agrícola. Brasília-DF: Embrapa.