Agricultura Familiar
quarta-feira, 24 de junho de 2015
Guia Alimentar para a População Brasileira 2014
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domingo, 21 de junho de 2015
Alguns desafios da Assistência Técnica e Extensão Rural no Brasil
A história da Assistência Técnica e Extensão Rural
no Brasil é a história do desenvolvimento da agricultura brasileira e pode ser
apresentada de modo sintético em quatro atos distintos.
Agora, aproxima-se a inauguração de uma nova etapa
no processo de implantação da Política Nacional de Assistência Técnica e
Extensão Rural, como desdobramento direto da criação da Agência Nacional de
ATER – ANATER, pela Lei 12.897 de 18/12/2013 e a sua regulamentação com o Decreto
8.252 de 26 de maio de 2014, passando pela Lei Nacional de ATER, a Lei
12.188/2010 que institucionalizou as diretrizes da PNATER, que foi
regulamentada pelo Decreto 7.215, de 15/06/2010 e que instituiu as chamadas
públicas e os contratos de ATER, e que assim concluiu o ciclo iniciado com a
transferência para o MDA da competência relativa à ATER, através do Decreto
4739/2003.
O primeiro ato foi marcado pela criação da ACAR MG –
Associação de Crédito e Assistência Técnica Rural, em 1948 que visava
supervisionar o crédito e levar conhecimento para produção agrícola. Este
modelo que se espalhou pelo Brasil todo e que consolidou com a criação da
Associação Brasileira de Crédito e Assistência Rural, em 1956.
O cenário do segundo ato é a “modernização da
agricultura” com a massificação do crédito, a difusão de tecnologia a produção
de commodities e que teve seu auge no final dos anos 70, após a criação nos
Estados das Empresas de Assistência Técnica e Extensão Rural e o SIBRATER –
Sistema Brasileiro de Assistência Técnica e Extensão Rural em 1975.
Em continuidade, no terceiro ato, viu-se a lenta
decadência do sistema que culminou com a extinção da EMBRATER em 1992, o
demonstre do sistema EMATER e ao mesmo tempo a precarização dos serviços, cujo
caso mais exemplar é o que ocorreu no Estado de São Paulo com a municipalização
dos serviços como foi demonstrado no estudo de Abelardo Pinto (1998), iniciado
em 1990 com a criação do Sistema Estadual Integrado de Agricultura, sendo que
em 1998, 396 municípios já haviam aderido por meio de convênios.
De volta do início, o último ato, que se iniciou em
2003, deverá encerrar o primeiro volume da série com a implantação da ANATER e
inaugurar novos desafios que vão requerer novo repertório, novos atores e um
novo enredo.
Neste provável cenário, novas perguntas surgem e
outras retornam: como funcionará a ANATER? Qual será o papel do MDA e do DATER?
Quais serão e de onde virão os recursos para o financiamento da ATER? Será
criado um sistema nacional de ATER? Como ficam os investimentos para as
instituições estaduais de ATER? A dimensão educadora estará prevista nas ações
de extensão rural?
Em 2014, 800 mil agricultores familiares foram
beneficiados, com recursos federais da ordem de R$ 813 milhões do INCRA e do
MDA dentro do marco da Lei 12.188/2010, sendo contabilizado o atendimento
adicional de mais 500 mil famílias por meio de convênios celebrados
anteriormente à Lei. E no quarto ano de execução Lei 12.188/2010 o MDA são
contabilizados 221 contratos que beneficiaram 280 mil famílias. Dentro destes
resultados devem ser destacados ainda que 55% dos beneficiários de ATER são
mulheres. Existem 689 entidades de ATER credenciadas no MDA. Contudo, com
recursos estaduais, a ASBRAER, informou em 2012 que as organizações estaduais
de ATER atendem dois milhões de agricultores.
Nos dois últimos anos, 2013 e 2014, foram lançadas
chamadas públicas para contratação de serviços para atender mais 182 mil
famílias, incluindo: 31 mil famílias atendidas dentro do Plano Brasil sem
Miséria (PBSM). Os contratos de ATER para sustentabilidade, manejo de solo,
água e insumos para a produção de alimentos limpos e. Agroecologia, no âmbito
da PLANAPO contratou serviços para 133 mil agricultores familiares e para 22
mil famílias na diversificação produtiva em municípios produtores de tabaco. E
no programa mais Gestão são 471 cooperativas que reúnem em seu quadro
associativo 100 mil agricultores familiares.
Conclui-se que na última década foram dados passos
importantes, com resultados significativos, se compararmos que em 2003 o
orçamento para ATER era 46 milhões e que em 2014 atingiu mais de R$ 800
milhões.
Entretanto, a realidade concreta mostra que temos
muitos desafios. Atualmente, é consenso o envelhecimento do quadro técnico das
instituições de ATER, com estrutura precária de trabalho, com enormes
disparidades salariais entre as organizações. Bem como a aparente eterno dilema
entre os limites e o papel da pesquisa e da ATER. Ainda no mundo real da ATER
podem ser pontuados os desequilíbrios entre a assistência técnica e a extensão
rural, da ação dos extensionistas e as divergências políticas. As contradições
entre os modelos tecnológicos concentrados nos interesses do mercado e a
sustentabilidade das atividades econômicas centradas na autonomia econômica dos
agricultores.
Segundo o Censo Agropecuário de 2006, “No País, a
orientação técnica continua muito limitada, sendo praticada em 22% dos
estabelecimentos, os quais, entretanto, ocupam 49% das terras. A área média do
grupo assistido é de 144 ha ;
enquanto a dos não assistidos é de 42 ha . É nítida a segmentação da assistência
técnica em função de sua origem e do tamanho dos estabelecimentos atendidos. A
orientação técnica de origem governamental atinge 43% dos estabelecimentos
assistidos e está mais voltada para os estabelecimentos menores, com área média
de 64 ha .
As empresas privadas de planejamento atendem a estabelecimentos com área média
de 301 ha .
” (Comentários do Censo Agropecuário de 2006)
Especificamente o Censo resultou que dos 4.366.267
estabelecimentos de agricultura familiar, apenas 328.861 (8%) declararam que recebem assistência ou
orientação técnica, dos quais somente 39% deste total declararam a origem
pública (governo federal, estadual ou municipal) da orientação técnica
recebida. Quanto a segmentos, observa-se que 30% dos agricultores familiares
que recebem serviço de ATER pertencem a estratos de renda característicos da
pobreza, microcrédito e reforma agrária.
A extensão rural e assistência técnica pública,
gratuita é uma diretriz prevista na lei agrícola de 1991 e confirmada como um princípio
da PNATER, pela Lei 12.188/2010, mas nem sempre foi, ou é, ou poderá ser assim.
Existem fortes correntes e experiências internacionais que preconizam a
privatização dos serviços ou o “pluralismo institucional”, orientados no
ideário neoliberal de “Estado Mínimo”.
Do mesmo modo, universalizar o serviço de ATER ainda
é enorme desafio. Atualmente o orçamento federal alcança o atendimento para 800
mil famílias, entre MDA e INCRA. Entretanto para a universalização, seriam
necessários entre R$ 4,4 bilhões (custo de R$ 1.000,00/agricultor/ano para os
4,3 milhões agricultores familiares) e R$ 2,35 bilhões (média de R$
540,00/agricultor), neste cenário o custo da universalização seria menor para o
Governo Federal, pois haveria preveria que estados e municípios assumam uma
parte.
A prioridade de ação rumo a universalização dos
serviços de ATER deve estar voltada aos beneficiários da Reforma Agrária. De
acordo com o Relatório de Gestão do INCRA de 2014, o serviço atende cerca de
400 mil assentados dos 960 mil atualmente cadastrados pelo INCRA. Além disso,
espera-se que o serviço seja plenamente transferido para a competência da
ANATER visando focalizar a atuação do INCRA na identificação e obtenção de
terras, visando cumprir as metas de assentamento para este período de governo.
Uma das possibilidades para garantir o financiamento
da ATER, poderia ser através da aprovação da lei que cria o Fundo Nacional de
Agricultura Familiar, proposta prevista na última edição da Política Nacional
de ATER e conforme o Projeto de Lei 412/ 2014 de autoria da Senadora Ana Rita
em tramitação.
Por isso, a Universalização da ATER pressupõe, um
passo anterior, qual seja, estabelecer um modelo de gestão entre as instâncias
governamentais e setores sociais capazes de estabelecer um Sistema Nacional de
Assistência Técnica e Extensão Rural. Onde tanto o MDA, como a ANATER
desempenharão papel de destaque, aquele na formulação da política e este na
execução. E de onde deverão derivar, com a nitidez necessária, as competência e
atribuições dos Estados, Distrito Federal e Municípios. Bem como, das relações
entre os entes da federação. Por isso, o próximo passo deve ser a
regulamentação do marco legal do Sistema Nacional de ATER.
Neste contexto, de transição para ANATER, uma das
providências mais que precisam ser operadas nos Editais Públicos de contratação
de serviços de ATER é a medição e pagamento dos serviços por resultado e não
somente por esforço como é o modelo atual. As contratações devem visar
resultados: crédito contratado, aumento da produção e renda da Unidade Familiar
de Produção, regularização ambiental (CAR e PRA), comercialização nos programas
do PAA e PNAE, acesso dos agricultores a outras políticas públicas e não
somente o esforço realizado com visitas técnicas, reuniões e capacitações
realizadas.
Por
último, dentro dos limites deste artigo, cabem algumas considerações sobre a
dimensão educadora dos serviços de assistência técnica extensão rural
estabelecendo-se como ponto de partida e principal paradigma o pensamento do Professor
Paulo Freire que concebe a educação como processo de transformação e
emancipação que se traduz em uma relação horizontalizada entre o extensionista
e o agricultor e que precisa ser recuperada como cláusula pétrea de ATER, que
aliás na essência é o que qualifica a condição pública da prestação dos
serviços.
A dimensão educadora da ATER pressupõe a discussão
sobre educação no campo, formação profissional nas escolas técnicas,
universidades e centros de pós-graduação, o conteúdo curricular, os cursos de
capacitação no âmbito do PRONATEC Campo, das Escolas Famílias Agrícola em
estreita ligação com a temática da sucessão e a inclusão produtiva da juventude
rural.
Ainda, na dimensão educativa nas ações de ATER a
abordagem deve considerar: 1) o acompanhamento familiar, por meio de visitas
técnicas na Unidade Familiar de Produção Rural; 2) as ações de grupo, por meio
das metodologias participativas visando a solução coletiva para problemas
comuns e o fortalecimento das organizações econômicas da agricultura familiar e
3) Promover a Comunicação para o Desenvolvimento Rural por meio de ações
massivas com a utilização dos meios e mídias e as novas ferramentas
tecnológicas.
O sistema de Ater precisa de mudanças e de modernização.
O primeiro passo é criar uma agenda de gestão da informação e do conhecimento,
apoiados nas novas geotecnologias e sistemas digitais como caminho de futuro
pra devolver os técnicos para o campo. Desenvolver canais e ferramentas de
comunicação para dispositivos móveis. Implantar arquiteturas matriciais de
planejamento e de gestão em rede. Definir a diversidade, a sustentabilidade, as
soluções locais e educadoras como principio de atuação.
Conclui-se que urge a estruturação da ANATER, como
órgão executivo da Política Nacional de ATER com capacidade de ofertar serviços
de ATER, com agilidade, operacionalidade e flexibilidade mediante chamadas
públicas e transparentes e a instituição de instrumentos de pagamento dos
serviços por resultados, via operações de crédito, construída com base em
princípios: educadora, descentralizada, co-financiada, pública, gratuita e de
qualidade.
Por isso, sempre com um olho no retrovisor, para não
ser atropelado pelo passado; e outro no painel de bordo para acompanhar e
corrigir a rota enquanto caminhamos, devemos seguir em frente visando à
promoção do desenvolvimento rural sustentável, com base na agroecologia para a
produção de alimentos saudáveis para todo mundo e principalmente para a
população brasileira.
sábado, 13 de junho de 2015
Atenção: Prazo de Renegociação das Dívidas do PRONAF
Agricultores familiares poderão renegociar dívidas do Pronaf com desconto de 80%
Com o objetivo de resolver a situação de inadimplência dos agricultores familiares, assentados de reforma agrária, que contrataram o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), será realizada no período de 15 a 19 de junho, a Semana de Renegociação de Dívidas do Pronaf “A” e “A/C”.
Para realizar a renegociação, que garantirá um desconto de 80% da dívida, os agricultores deverão procurar as agências dos Bancos do Brasil e do Nordeste, com os documentos pessoais (RG e CPF). O prazo para renegociação encerra dia 30 de junho de 2015.
Produção de uva surge como alternativa de renda no Vale do Jequitinhonha
O cultivo da uva começa a se tornar boa alternativa de renda para os agricultores familiares de Turmalina, no Vale do Jequitinhonha. Na última safra, a produção de uva niágara branca e rosada chegou a 70 toneladas, que resultaram em faturamento de R$ 280 mil.
Atualmente, dez famílias da região se dedicam à atividade, com apoio da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Minas Gerais (Emater-MG). A cultura já ocupa aproximadamente 9 hectares no município, sendo 5 em produção e outros 4 hectares em formação. A maioria é da comunidade rural Ponte do Funil, onde o agricultor Odair Ferreira de Quadros iniciou o plantio de uvas, com a experiência adquirida em lavouras do Estado de São Paulo.
Em busca de recursos e orientação técnica, Odair procurou o escritório da Emater-MG em Turmalina e recebeu a assessoria necessária para fazer um projeto e obter financiamento de R$ 4 mil do Banco do Brasil, por meio do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), do governo federal. O sucesso na iniciativa, que começou em meio hectare de terra, estimulou outros produtores a investirem na nova cultura, como João Cordeiro, que também levou para Turmalina a experiência obtida nos plantios de uva em São Paulo e no Sul de Minas.
“A diversificação na agricultura local tem melhorado a qualidade de vida dos produtores, que podem obter renda maior, e também aumenta a oferta de alimentos mais saudáveis para os consumidores”, comemora o extensionista agropecuário Ronisley Damasceno.
O técnico da Emater-MG afirma que, apesar do clima tropical da região, o cultivo de uvas – frutas tradicionais de climas mais frios – é beneficiado por algumas características do município, localizado a cerca de 670 metros de altitude, em relação ao nível do mar: “Temos solos profundos, favoráveis à fixação das raízes das videiras, e também um inverno rigoroso, em contraste com o clima tropical no resto do ano”, cita Ronisley.
O coordenador técnico estadual de Fruticultura da Emater-MG, Deny Sanábio, confirma que a alternância de estações quentes e frias bem definidas é um fator positivo para a produtividade da videira na região, pois o calor logo após o período frio estimula a quebra da dormência, fenômeno que contribui para aumentar a brotação de frutos. “A incidência de sol por longos períodos do ano e a pouca umidade da região exigem mais investimento na irrigação. Por outro lado, o calor estimula a brotação e é possível obter até duas safras por ano. Outro fator positivo do sol é que ajuda a concentrar os açúcares dos frutos e torna o produto mais atraente para o consumidor”, explica Sanábio.
De acordo com o coordenador da Emater-MG, a produção de uvas é uma atividade promissora para a região do Jequitinhonha, mas exige técnica apurada e investimento. “É altamente tecnificada – tem que saber quais ramos podar e fazer corretamente o raleio de frutos, para estimular a produtividade. E a adubação também precisa de cuidados intensivos. Só assim se pode conseguir um bom padrão dos frutos, para poder competir com a região Sul, que já tem tradição consolidada no mercado”, alerta.
Desafios da fruticultura
Além da uva, as características de clima e solo de Turmalina favorecem também a produção de outras frutas. A banana é a mais popular: ocupa 26 hectares e os 110 agricultores que se dedicam à atividade conseguem rendimento de 288 toneladas por ano. A laranja ocupa 10 hectares e gera produção anual de 120 toneladas. Área semelhante é ocupada com plantio de abacaxi, que produz 50 mil frutos por ano. O maracujá é plantado em 2,5 hectares, com rendimento de 20 toneladas anuais.
O escritório da Emater-MG no município atende 650 agricultores familiares por ano, nas áreas de fruticultura e nas atividades rurais mais tradicionais da região do Jequitinhonha, como bovinocultura de corte e de leite e lavouras de subsistência, além da silvicultura (produção de madeira e carvão).
O coordenador de Fruticultura da Emater-MG, Deny Sanábio, fará palestra sobre Potencialidades, Desafios e Estratégias da Fruticultura, durante o 2º Seminário de Fruticultura de Capelinha e Região, no dia 18 de junho. O evento será realizado das 8h às 16h, no Galpão Cultural do Parque de Exposições de Capelinha, e integra o Circuito FrutificaMinas, iniciativa da Emater-MG, empresa vinculada à Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento.
Fonte: Emater - MG
Visite o Mercado da Agricultura Familiar em Brasília
Hoje de manhã estive no CEASA de Brasília, para comprar alimentos no mercado da Agricultura Familiar. O projeto é uma realização da EMATER do Distrito Federal com recursos do Ministério do Desenvolvimento Agrário.
O local é muito limpo e organizado. Desde a padronização da banca de exposição até os uniformes. Tudo isso por um preço justo e de qualidade e com um atendimento de primeira. No mercado, os agricultores familiares e suas organizações econômicas colocam a venda uma enorme variedade de produtos: banana, limão rosa, maracujá, morango, alface, couve, ovos caipira, quiabo, jiló, mandioca, farinha, tomate, cenoura, pimentão, pimenta-de-cheiro, carne de coelho, queijos, artesanato e flores.
Exemplos como esse estão espalhados por todo o Brasil e compravam na prática a importância econômica e a função social da Agricultura Familiar na produção de alimentos saudáveis para a população.
No próximo sábado. Visite a feira e adquira os produtos da agricultura familiar. A melhor opção para você, para a agricultura familiar e para o Brasil.
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Vídeo Comida que alimenta! - Não perca!
Vale a pena assistir este vídeo de pouco mais de 5 minutos que fala sobre a agricultura familiar, a produção de alimentos, a produção agroecológica, as feiras agroecológicas, a agroindústria familiar, o cooperativismo, programa nacional de alimentação escolar e o programa de aquisição de alimentos. Além de mostrar os malefícios da agricultura produzida com agrotóxicos e transgênicos.
Comida que alimenta
Publicado em 5 de jun de 2015
O vídeo Comida que Alimenta é uma realização do Centro Sabiá, vinculado ao projeto Trabalho, Renda e Sustentabilidade no Campo, patrocinado pela Petrobras. O projeto busca fortalecer as experiências de agricultura Agroflorestal de base Agroecológica na Zona da Mata Sul de Pernambuco, além de ter um forte componente de agregação de valor à produção da agricultura familiar desse território, com a instalação de Unidades de Beneficiamento de frutas e de mel, para atender principalmente as compras institucionais via Programa de Aquisição de Alimentos - PAA e Programa Nacional de Alimentação Escolar – PNAE, e o mercado turístico do território. Além de buscar fortalecer a estratégia de comercialização direta produtor/consumidor via Feiras Agroecológicas.
Créditos:
Roteiro: Centro Sabiá
Direção e Animação 2D: Ianah Maia
Direção de Arte: Ianah Maia e Débora Cabral
Trilha Sonora: Filipe Barros e Rogério Samico
Desenho de Som e Mixagem: Rogério Samico
Vozes: Ianah Maia e Rogério Samico.
Créditos:
Roteiro: Centro Sabiá
Direção e Animação 2D: Ianah Maia
Direção de Arte: Ianah Maia e Débora Cabral
Trilha Sonora: Filipe Barros e Rogério Samico
Desenho de Som e Mixagem: Rogério Samico
Vozes: Ianah Maia e Rogério Samico.
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https://www.youtube.com/watch?v=z6xAkNPV3QI
segunda-feira, 1 de junho de 2015
Reforma Agrária: oportunidade para ajustar e avançar
O recente debate político sobre o latifúndio, sobre a
propriedade da terra e a reforma agrária está completando um século no Brasil e
agora temos uma oportunidade para ajustar e avançar neste tema, conforme a
proposta do Ministro Patrus Ananias do MDA de realizar uma grande conferência
nacional sobre a terra e sua função social.
Historicamente, foram quatro oportunidades
perdidas pelo Brasil para fazer a reforma agrária: A primeira com o fim do regime das sesmarias (1822). A segunda
com a crise de 1920 e o início do processo de industrialização e que inaugura o
atual debate. A terceira oportunidade foi no governo João Goulart (1963) com o
fortalecimento das organizações sociais de um lado e um governo disposto a
realizá-la de outro lado. E a quarta oportunidade registrada é com a Nova
República e o 1º Plano Nacional de Reforma Agrária (PNRA).
Pode-se dizer que a reforma agrária no Brasil começa mesmo
antes do marco do descobrimento, com tratado de Tordesilhas (1494) que
divide o território em duas metades entre Portugal e Espanha. Processo que se completa
com a instituição das capitanias hereditárias em 1530 e com o Regime das sesmarias que
somente foi alterado depois da independência, por ocasião do Primeiro Código de Terras do Brasil, a
Lei de Terras (1850). Ainda,
grosso modo, passamos pela Abolição da Escravatura (1988) e pela Proclamação da
República (1989), mas a situação agrária brasileira pouco mudou.
Institucionalmente, o assunto retorna em 1950, com o início do processo de industrialização
e uma nova configuração se estabeleceu com o Estatuto da Terra e a criação do
INCRA (1964). Assim, até o fim de 2014, foram contabilizados 9.127 projetos com
uma área total de 88.297.609
ha e 956.543 famílias assentadas.
Do lado dos vencidos, a luta pela terra no Brasil é contada pelos
indígenas massacrados e resistentes a ocupação, pelos escravos fugidos ou
abandonados. Pelas histórias das resistências, como os motins nos sertões das
Minas Gerais, a beira do São Francisco, em 1736. As lutas de posseiros e
camponeses, desde os primeiros momentos da ocupação do interior e pelos
parceiros, colonos e agregados ao redor das grandes fazendas de cana-de-açúcar
e café. As primeiras proposições políticas relativas à divisão das terras só
vão surgir na década de 20, com a Coluna Prestes e a criação do Bloco Operário
e Camponês (1927), apesar do registro de greves nas fazendas de café em
Ribeirão Preto (1912). Mas recentemente, as Ligas Camponesas (1950), os
Sindicatos de Trabalhadores Rurais e o Movimento dos Sem Terra (1980) e na
atualidade o protagonismo social da CONTAG, FETRAF, MPA, MAB continuam a luta e
a resistência à Revolução Verde que promoveu a modernização conservadora no
meio rural brasileiro com o esvaziamento do campo, a concentração da propriedade
e estabeleceu um padrão produtivo e tecnológico, apropriado pelo sistema
capitalista internacional.
Propõe-se como prioridades, no contexto de
construção do 3º PNRA, algumas metas já estabelecidas e outras para
continuidade do debate: 1) Assentar todas as famílias acampadas (estimadas
entre 60 e 120 mil famílias); 2) Garantir a melhoria na estrutura e nos
investimentos dos projetos de assentamento, 3) acabar com a dicotomia entre
assentado da reforma agrária e agricultor familiar, 4) Reposicionar o INCRA,
concentrando-o no desenvolvimento territorial, focando na obtenção de terras e
nos projetos de assentamento, modernizando sua gestão com difusão do uso da
tecnologia da informação para reduzir os tempos processuais, retirando entraves
e melhorando a transparência e as técnicas de participação e monitoramento, com
concurso público, reestruturação de cargos e salários e principalmente com
metas bem definidas, 5) Revisar e atualizar o conceito de módulos
fiscais/rurais, 6) Reconceitualizar a função social da propriedade, 7) Índice
de produtividade 8) Ampliar as linhas de financiamento para o crédito
fundiário, em especial para fomentar a sucessão rural. 9) Além disso, é
imperioso reescrever o Estatuto da Terra e 10) Reunir a temática da regularização
fundiária, como função do Estado, atualmente difusa em diferentes instituições
como o INCRA, MDA, FUNAI, FUNDAÇÃO PALMARES e SPU.
Por isso, ao contrário das vezes anteriores, temos que
aproveitar o mandato atual e garantir o imperativo de recolocar Reforma Agrária
como prioridade na perspectiva de finalizar o ciclo atual, que inclui ajustar nossas
diretrizes políticas para avançar. Tempo, oportunidade e vontade política para ajustar e avançar a reforma agrária no Brasil.
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